segunda-feira, 6 de junho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Turismo de proximidade
Descobrirei um texto para aqui por disse quando coloquei estas postas com alguma frescura e pouco tempo, pouco brilho mental.
Como podemos fazer deste nosso Portugal um belo país com poucos meios mas com dedicação e asseio?
Onde as velhas reliquias de antigamente tenham alguma dignidade na paisagem.
Onde a pueril ruralidade nos traga o encanto das coisas naturais e o sabor das coisas autênticas.
Onde os espaços comerciais sejam diversos, exclusivos, verdadeiros.
Onde a arquelogia seja encarada de forma alargada sem preconceitos e juizos desintegradores.
Onde a liberdade seja respeitada.
Onde o artesão seja valorizado.
Onde os espaços vivam com gente e dinâmicas de prazer e partilha.
Onde os piores sitíos sejam os melhores sítios onde possamos ser nós próprios.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Transitar
Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar‑se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia‑se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam‑se na observação dos factos e punham‑se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor – sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.
Herberto Hélder, Os passos em volta
terça-feira, 26 de abril de 2011
Epitáfios desmazelados
O acontecimento que com direito traz a cada um a revelação do sentido da sua própria vida, este acontecimento que ainda não encontrei, mas para o qual caminho, não se concebe ao preço do trabalho.
André Breton
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Aqua acima
Como ovnis vão paulatinamente pousando aqui nesta meca da bimbalheira magnificos elefantes brancos, catedrais do consumo em tempos de consumição. Cria-se muito emprego e montam-se as redes para apanhar os ávidos tostões da vanidade. A indústria do turismo exulta. O FMI rejúbila.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Legado abandonado
Foi a fábrica de conservas Júdice Fialho, em Ferragudo. Na internet não se apanha nada de jeito, nem uma foto antiga sequer. Deve estar tudo bem arrumadinho no museu.
O distinto ancião na 1º fotogarfia revelou que este foi o primeiro ano em que as cegonhas fizeram ninho na chaminé...
Á espera de mais um projecto PIN e milhões de offshores este local continua no seu parcimonioso abandono.
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