quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Novas instalações de Aladino

O Aladino é moço ladino. Conheci-o nas andanças das feiras de velharias em Barão de S. João. É homem conversador e conhecedor de milhentas de coisas interessantes, tralhas e artigos de vária proveniência. Tem bom gosto e é danado para o negócio. O seu castelo foi construído palmo a palmo ali a caminho de Bensafrim vindo de Lagos numa casa amarela à beira da estrada a qual não é difícil dar por ela com a evidência das velharias a enfeitá-la. Agora que já está um pouco mais cansado aproveitou a oportunidade deste novo local também à beira estrada (EN125) em Odiáxere e montou o estaminé com algumas das suas inúmeras peças. Aqui fica uma amostrazinha.









sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sem poeira e com céu azul




Sob um grande céu cinzento, uma grande planície empoeirada, sem trilhas, sem gramado, sem um cacto, sem uma urtiga, encontrei alguns homens que caminhavam curvados.
Cada um deles levava às costas uma enorme Quimera, tão pesada quanto um saco de farinha ou de carvão ou os apetrechos de um soldado romano.
Mas a monstruosa besta não era um peso inerte, ao contrário, ela envolvia e oprimia o homem com seus músculos elásticos e potentes; ela agarrava-se ao peito de sua montaria, com suas duas vastas garras e a cabeça fabulosa sobrepunha-se à fronte do homem, como um desses capacetes horríveis com os quais os antigos guerreiros esperavam aumentar o terror dos inimigos.
Questionei um desses homens e perguntei-lhe para onde iam assim, Ele me respondeu que de nada sabia, nem ele nem os outros; mas que, evidentemente, iriam a algum lugar, pois eram impulsionados por uma invencível vontade de andar.
Coisa curiosa de se anotar: nenhum desses viajantes tinha um ar irritado contra a besta feroz pendurada em seu pescoço e colada às suas costas. Dir-se—ia que as consideravam como fazendo parte deles mesmos. Todas essas faces fatigadas e sérias não testemunhavam qualquer desespero; sob a cúpula entediante do céu, os pés afundados na poeira de um chão também tão desolado quanto este céu, eles caminhavam com a fisionomia resignada dos que são condenados a esperar sempre.
E o cortejo passou a meu lado e se afundou na atmosfera do horizonte, no local onde a superfície arredondada do planeta se furta à curiosidade do olhar humano.
E durante alguns instantes eu me obstinava em querer compreender este mistério, mas logo uma irresistível indiferença se abateu sobre mim e eu fiquei mais pesadamente oprimido do que eles próprios por suas esmagadoras Quimeras.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Genéricamente 4 L (parte 1)





Talvez fosse de repente, ou então desatenção, mas eu até sou fã das 4L e ainda não tinha visto tantas seguidas. Será da crise? a malta vai às garagens buscar as velhas latas resistentes que dão um toque retro por onde passam. Oh tempo volta para trás. É o virar da máquina. Tempos de flippers e flipanços.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cidade em tons de azul






Portugal e Portimão em depressão progressiva. Eu próprio não me estou a sentir nada bem...

Gaivotas ao camarão




É o resto do luxo, meu povo!

Salvatore Giannini - caminhante


Encontrei-o a beber um galão no Cárlinhes do Calvário. Queixava-se da humidade pois dormia ao relento em pleno Inverno. Destrocou a sua maneira de ser caminhante por convicção e de como já percorreu inúmeros países: Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Turquia, ex-Jugoslávia... sempre a pé. Tinha uma ética muito dele. É de origem italiana, de Napoli. Foi carteiro numa pequena localidade perto de Munique só o tempo necessário para poder criar a filha. O que ele faz é mesmo caminhar. No entanto para além de uma grande mochila também transporta 2 sacos. Não se lamenta a não ser das condições climáticas. Veio de Espanha foi até á Costa Vicentina mas as condições climatéricas fizeram-no voltar para seguir pelo Mediterrâneo. Tem é de ter 2€ para poder passar de barco de VRSA até Ayamonte. Eu cá como sou um gajo um bocado com a mania disse-lhe que podia começar a escrever um bloco com haikus cruzando a memória com o presente...
Dei-lhe boleia até Carvoeiro e ele foi matar saudades do mar.