sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bicicleta Crescent



Posso chamá-lo de Aureliano Borges que ele não se importa. Entrecortando a conversa que ele estava a ter com um amigo sobre esta relíquia sueca fui ficando a saber alguns pormenores da dita. Veio-lhe ter às mãos de um amigo que a tinha desencantado de uma garagem de um estrangeiro que tinha falecido. Ao principio ficou acordado por 10€ mas como a transacção demorou acabou por ser por troca de um torno. A pintura de origem só se pode apreciar no guarda-lamas da frente, o azul-cueca foi esmaltado por cima, os cromados também estão com ferrugem, mas no geral está tudo a funcionar. Tem o rodado alto, não tem travões (trava-se com os pedais) e como não tem brecagem possui uma pega no quadro que facilita a viragem e o transporte, para além disso tem uma grade atrás com uma caixa de ferramentas. A marca aparece toda rendilhada na protecção da corrente. Um luxo.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

D. Lurdes - Horta humana










  A doença do marido com intolerância a legumes que tivessem pesticidas fez com que esta senhora de meia-idade se lançasse num projecto de cultivo biológico por iniciativa própria. Um vizinho deu uma ajuda cedendo um pedaço de um abandonado terreno agrícola em frente à casa onde mora, com a água para rega vinda da sua própria casa e cheia de determinação e alegria, produz maravilhosos e saudáveis vegetais nos arredores de Portimão.
As poucas pessoas que a conhecem fazem as suas escolhas no local, e a D. Lurdes recolhe, faz os molhos, coloca nos cestos e transporta até à sua improvisada banca sempre com graça e disponibilidade. Ela faz tudo sózinha, mas é claro que precisa de uma ajudinha, ela é a mais nova da zona. Aceita candidatos de confiança. Quem quer ajudar e aprender?
Esta autêntica senhora do verde, reconhecida na terra depois de aparecer em dois programas televisivos, faz desta horta um exemplo de boas práticas agricolas e sociais acrescentando alta qualidade a preços modestos nos cozinhados da sua seleccionada clientela. Vibrantes acelgas,  rechonchudas couves, belos funchos, esplêndidos bróculos, etc. de uma variedade surpreendente, são a demonstração viva de que é possivel ter uma alternativa saudável na nossa alimentação.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Novas instalações de Aladino

O Aladino é moço ladino. Conheci-o nas andanças das feiras de velharias em Barão de S. João. É homem conversador e conhecedor de milhentas de coisas interessantes, tralhas e artigos de vária proveniência. Tem bom gosto e é danado para o negócio. O seu castelo foi construído palmo a palmo ali a caminho de Bensafrim vindo de Lagos numa casa amarela à beira da estrada a qual não é difícil dar por ela com a evidência das velharias a enfeitá-la. Agora que já está um pouco mais cansado aproveitou a oportunidade deste novo local também à beira estrada (EN125) em Odiáxere e montou o estaminé com algumas das suas inúmeras peças. Aqui fica uma amostrazinha.









sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sem poeira e com céu azul




Sob um grande céu cinzento, uma grande planície empoeirada, sem trilhas, sem gramado, sem um cacto, sem uma urtiga, encontrei alguns homens que caminhavam curvados.
Cada um deles levava às costas uma enorme Quimera, tão pesada quanto um saco de farinha ou de carvão ou os apetrechos de um soldado romano.
Mas a monstruosa besta não era um peso inerte, ao contrário, ela envolvia e oprimia o homem com seus músculos elásticos e potentes; ela agarrava-se ao peito de sua montaria, com suas duas vastas garras e a cabeça fabulosa sobrepunha-se à fronte do homem, como um desses capacetes horríveis com os quais os antigos guerreiros esperavam aumentar o terror dos inimigos.
Questionei um desses homens e perguntei-lhe para onde iam assim, Ele me respondeu que de nada sabia, nem ele nem os outros; mas que, evidentemente, iriam a algum lugar, pois eram impulsionados por uma invencível vontade de andar.
Coisa curiosa de se anotar: nenhum desses viajantes tinha um ar irritado contra a besta feroz pendurada em seu pescoço e colada às suas costas. Dir-se—ia que as consideravam como fazendo parte deles mesmos. Todas essas faces fatigadas e sérias não testemunhavam qualquer desespero; sob a cúpula entediante do céu, os pés afundados na poeira de um chão também tão desolado quanto este céu, eles caminhavam com a fisionomia resignada dos que são condenados a esperar sempre.
E o cortejo passou a meu lado e se afundou na atmosfera do horizonte, no local onde a superfície arredondada do planeta se furta à curiosidade do olhar humano.
E durante alguns instantes eu me obstinava em querer compreender este mistério, mas logo uma irresistível indiferença se abateu sobre mim e eu fiquei mais pesadamente oprimido do que eles próprios por suas esmagadoras Quimeras.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Genéricamente 4 L (parte 1)





Talvez fosse de repente, ou então desatenção, mas eu até sou fã das 4L e ainda não tinha visto tantas seguidas. Será da crise? a malta vai às garagens buscar as velhas latas resistentes que dão um toque retro por onde passam. Oh tempo volta para trás. É o virar da máquina. Tempos de flippers e flipanços.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cidade em tons de azul






Portugal e Portimão em depressão progressiva. Eu próprio não me estou a sentir nada bem...