quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Grandessíssima depressão


















Portugal definha, está doente com 30 maleitas e não se pode fazer muito mais do que ampará-lo, insultá-lo, e aprisionados a ele caminhar pesadamente para a ruína. Não há guito. Não há trabalho. Não há força de vontade. Não há sequer bom senso. Estamos estourados, espoliados, pervertidos, fora de nós, sem amor, poesia, fantasia, alegria, esperança.  Acabou-se a ilusão, fomos expulsos do paraíso, é o fim do mundo em cuecas. Uma volta ao quarteirão numa cidade do sul, num feriado ao fim da tarde, uns disparos, uns tiros na claridade. Graves evidências de um presente traumático.

"Bebe uma e depois outra, caneca de água da torneira, que isso passa"

Aldemir Confúcio

http://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_econ%C3%B4mica_de_2008-2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A catarse das vassouras




http://pt.wikipedia.org/wiki/Catarse

Ajuda o pobrezinho




http://www.pnajuda.imc-ip.pt/

Sempre armados ao pingarelho. Por fora tudo indecorosamente janado e por dentro mantêm-se as aparências. Cá fora na Ajuda é só lixo e sebo por todo o lado. As pessoas já não ligam, passeiam a sua indiferença com o garbo dos indigentes. Toda a área envolvente do palácio é uma acusação à comandita de legisladores que nada conseguiram para dar dignidade e alma a um local privilegiado para a oferta turistica onde o que existe mais parece um ninho de ratazanas e ruína. Velhos, doentes, drogados, bandidos. Abandono, incúria. Lisboa está intransitável mas o que transparece é o gaudio e o hedonismo de uma capital centralista, um buraco sorvedor que tudo tritura. Este país precisa de ajuda e não vai ser com a troika que vamos lá..

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sporting Clube Lagoense


Gostamos do acaso, das intrincadas subtilezas do desejo, das latências das nossas imprecisas clarividências. O bom amigo Eliezer que conhece a restauração Algarvia de fio a pavio, levou-nos (Algarve 123) a um recanto perdido no coração de Lagoa, o núcleo sportinguista fundado no longínquo ano de 1938.  Aqui o surreal acontece com naturalidade, com alma. À frente deste espaço, por assim dizer, comunitário, de simpatizantes do Sporting (SCP), está o Rui à cerca de um ano. Experimentado homem das artes da cozinha e dedicado colecionador de memorabilia futebolistica, mas do Benfica - era seu o famoso museu do Benfica de Lagoa, agora encaixotado, à espera de melhores dias...



Ao tomar conta deste lugar, no primeiro andar deste edifício centenário,  logo tratou de afixar fotografias do espólio que encontrou (numa delas, envergando a camisola do clube, destinguimos o pai do José Mourinho, Félix Mourinho, filho desta terra) e outras castiças lembranças, bem como reabilitou a sala dos troféus. Para além disso come-se muito bem. Nesta nossa visita, numa segunda-feira, dia que não é para o peixe, só (??) havia umas cavalinhas frescas grelhadas com batata cozida, salada e uma soberba caldeirada de safio. Comemos na esplanada e regou-se com vinho de jarro fresco atenuado de gasosa. Conversamos sobre estas maneiras simples de fazermos as nossas vidas com matéria prima local, impregnada de alma, amor e sentido de comunidade e constatamos que está tudo por fazer. Bem hajam refúgios assim.

sábado, 9 de junho de 2012

Caracóis!?

Lamento amigo, disse-me o Bruno quando lhe sumariei a aventura que é comer em Portimão. Desta vez deu-me um desejo de caracóis, ainda os não tinha comido este ano. Estávamos a buscar o miúdo do club naval e como o famoso holandês dos caracóis é ali próximo... rumamos. No café da esquina um grupo de compinchas divertiam-se a assar umas sardinhas. No restaurante uma mesa estava ocupada, mas qual não foi o nosso espanto quando ao pedir os ditos cujos, só à tarde, por volta das 16h00. Mas que raio de tradição é esta que nunca tinha ouvido falar? Assim sendo vamos a outro sítio. No jardim do TEMPO, uma esplanada costuma ter. Só que lá chegados, o empregado de pernas estendidas também faz jus à tradição e só por volta das 15h30 é que caracoliza. Em frente, o café Nacional que tem lá uns supostos hambúrgueres gourmet, mas infelizmente já tinham acabado (era hora de almoço). Para não desperdiçar comida só compram em média - 4?!?! O que se passa aqui? que salto quântico é este? Será da troika, será das gentes?
Decididos a comer um resto do jantar de ontem fomos para casa. Já quase lá, no vizinho restaurante Barlavento, do simpático sr. Manuel ele não se escusou a servir-nos os almejados caracolitos, com pão torrado e regados a cerveja, seguidos de uma chouriça de Monchique. "Deus dá nozes a quem não tem dentes" avança ele depois de lhe contarmos o episódio.


Sentado a outra mesa estava o senhor Silva, já reformado, que me contou histórias de quando era motorista de turismo e lidava muito com os suecos, povo exigente mas imensamente correcto, nem uma migalha deixavam no autocarro. Pelo que me pareceu das suas palavras no meio deste percurso perdemos estes turistas por culpa própria: ganancias e aldrabices. "Os melhores eles arranjam maneira de os afastar"- acrescentou com mágoa. Que futuro para este estado de coisas? Perguntas a mais, soluções de menos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Despertai Filisteus


A garagem estava atulhada de problemas e outros esquemas, para além disso andavam por lá uns ratitos que crivaram de detritos várias caixas. A limpeza urgia e foi feita. O material em excesso, sendo Sábado, resolvi encaminhá-lo para esta loja. Falei com o recém coordenador - o Zé - que me explicou os processos e como apesar da malfadada crise vão tendo trabalho que dá para pagar as contas: rendas da loja e da habitação, comida e despesas várias. Aqui se recicla e muito se recupera do chamado entulho da sociedade.