quinta-feira, 30 de maio de 2013
Depósito e propósito
Fazer algo não chega. As cidades estão descaracterizadas. Precisamos de mais argumentos sustentáveis. Os jovens têm de fazer parte activa da renovação das cidades. As autarquias não se podem imiscuir do papel de supervisor, gestor, mentor, facilitador das iniciativas...
A falta de brio generalizada é um grande problema. É necessária a graça e o carinho pelo sitio onde vivemos..
domingo, 17 de março de 2013
Eleitão - pintor de arte
Pintor de arte, antigo desenhador/ maquetista da Casa da Moeda, Eleitão veio para o Algarve para descansar do rebuliço dos seus vem vividos 76 anos. Mas este homem não pára. Mudou do anterior espaço e montou atelier na rua que dá acesso à estação e lá passa os dias na persistência da pintura. Há um mês atrás passou-lhe pela ideia fazer um grande quadro com o tema da "Jangada do Medusa" de Théodore Géricault e fez uma adaptação ao caso do actual naufrágio português, onde nesta jangada, com a vela uma bandeira na forma do país e perfurada por uma bala, os esfaimados e desesperados protagonistas são a súcia de políticos que tem operado na nação nos últimos tempos. Prostrado ao canto esquerdo, o pintor exaurido segura ainda na paleta.
http://pinturasaoleodeeleitao.blogspot.pt/
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Luis Sapateiro - mito urbano?
Há um lugar de tertúlia, inusitado, numa artéria da cidade. O dinamizador
é o Sr. Luís, afamado sapateiro conversador que entretém os exasperados
clientes enquanto lhes remenda os sapatos, as botas, as malas, lhes
melhora os cintos. Este homem é uma enciclopédia e apanhando alguém que
lhe dê troco dispara à queima-roupa perguntas tão difíceis como "como
nasceu a pedra lascada, ou sabe você como apareceu o vidro?" e depois por
falta de resposta imediata ele explica tudo com requintes de fino trato ao
mesmo tempo que passa a cola de contacto ou liga a lixa para acertar o
tacão. Com ele pode-se falar de tudo. Ele tem sempre uma opinião com um
toque de proletariado informado e ávido de uma boa querela situacionista e
politica. Há senhoras que se impacientam e claro não vale a pena, aquilo
vai sempre levar o seu tempo e por isso para despachar serviço lá fica ele
às vezes até às tantas da matina a resolver os múltiplos casos de
sapataria popular. Uma cadeira e um banco tipo de jardim vão sendo
revezados ao mesmo tempo que novos vizinhos vão passando por esta
capelinha das meias-solas. Cliente tem sempre razão e o serviço é bem feito e a bom preço.
Não se pense que há balda. Ao falar-se de petiscos logo surgem entre o
digníssimo sapateiro e algum cliente receitas ancestrais e muito próprias
de uma riqueza humana extraordinária. Ele há sítios por aí mas destes
especiais não são fáceis de encontrar.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Casa Carvalhinho - Faro
Deambulando pela capital dos Algarves apreciando a especial arquitectura e os desleixados atentados ao património, reparo num estranho cenário de uma loja de esquina com um ar de fim do mundo. Lá dentro é um bric-a-brac em estado calamitoso onde o lojista também vive (come e dorme), com os tectos a cair, uns tachos imundos, e um amontoado de cultura, este tugúrio por incrível que pareça ainda tem alguns clientes. Era uma mercearia mas depois dos pais falecerem o Jorge foi ficando a embalar os fregueses até que mudou de ramo. Para além desta artística loja perdida e do restaurante um pouco atrás já não há mais negócios na Antero de Quental. E para quê, se o fim do mundo é já ali?
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Casa de Pasto do Calvário
O amigo Carlos da Casa de Pasto do Calvário é um dedicado e talentoso anfitrião do bom petisco. Gosta do que faz e sempre tem comidas apetitosas e bem confeccionadas. Como tem um excelente sentido de humor transporta-o para as mesas de bancos corridos desta autêntica casa de pasto à antiga. A feijoada de búzinas e os alimados são peça fundamental, nas sobremesas destaco as magníficas pêras bêbadas. Aos domingos anda por lá um cozido porreiro ao almoço e o fado é presença assídua à noite com a Maria da Saudade, a Sara Raquel e o Manelito . Como passo por lá todas as quintas e recebo muita vez uma prova de petisco (este aqui é dobrada) quis saber mais da maneira como ele se lançou na restauração. Foi mais ou menos assim: quando era moço era carpinteiro de limpos, janelas, portas, soalhos e afins, teve de ir para a tropa e lá aprendeu a cozinhar, quando voltou a construção teve uma das suas ciclicas crises e ele arranjou trabalho em colocação de persianas.
O dono da empresa das persianas estava a montar um bar em Armação de Pêra, o Kubata, e o Cárlinhes que não se dá parado e percebia de madeirame foi o homem certo para erguer o bar de praia que ainda hoje perdura. No verão meteu-se a assar o belo do peixinho e até arranjou namoro com uma suiça que apreciava os dotes do assador...
Depois dedicou-se à restauração por inteiro e fez muitas casas. Agora é aqui no Calvário em Estômbar que se entretém a animar a malta, estrangeiros e nacionais, vizinhos ou forasteiros. Todos são bem vindos.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Zé do Leitão
Zé do leitão assado
Urb. Quinta de S. Pedro,
nº 121 – Portimão (em frente ao Aqua)
Já há tempos que
queríamos experimentar o leitão assado em Portimão. Por acaso estando no Aqua
surgiu a hora do almoço e a ideia do leitão pareceu boa. Era mesmo em frente à
bomba de gasolina. Mas as aparências iludem como diz o ditado. O sítio até é
simpático, em mesas postas com pratos de barro e toalhas vistosas aos
quadradinhos azuis e brancos, quadros e fotografias com motivos africanos,
asseio e bom atendimento. Óptimas azeitonas verdes e bom pão tipo alentejano vieram
para a mesa. Depois pedimos o leitão frio ou morno e assim veio acompanhado com
batatas fritas caseiras cortadas às rodelas com uma rodela de laranja e pickles
a enfeitar o gosto. Mas este leitão deixa bastante a desejar por outras
paragens onde ele toma proporções de iguaria lacada no forno e objecto de múltiplos
prazeres carnívoros. Este para além de ter um saborzinho duvidoso, com a crise
as comidas passam de uns dias para os outros, não indiciava frescura e tinha a
pele queimada. A música brasileira começou a ressoar na cabeça e saímos um
pouco gordorosos do paladar, mesmo regado a minis pretas. Há take away, pratos
do dia e outros como bacalhau na brasa, cabrito assado e picanha, mas este
lugar apesar de barato não deixa saudades.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Barquinhos e memórias
Em giro de acaso demos, eu e o meu filhote, com o Sr. António Jorge Duarte, 82 anos, antigo pescador de bacalhau. Vi os barcos pela nesga do portão e perguntei se podia vê-los, sem demora estavamos todos entusiasmados a contemplar os artesanais barcos e a ouvir as histórias do velho marinheiro. Depois mostrou-nos a sua peça principal, o Titanic, gloriosamente feito a partir de uma fotografia. Prometemos continuar.
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