quarta-feira, 24 de julho de 2013

Olhar Olhão


Imenso trabalho o Al Gharb tem mostrado. Do maravilhoso, brilhante, resistente, colorido, vivaz - ao abandono, ao vilipêndio das cidades, as megalomanias de betão e ferro, um pedaço do desastre algarvio. Um paladino da imagem. Uma voz nesta escuridão.




First I take Detroit




No final do século XIX, a humanidade estava prestes a realizar um sonho antigo. A idéia de um meio rápido e autônomas de deslocamento foi lentamente se tornando uma realidade para os engenheiros de todo o mundo. Graças à sua localização ideal na Bacia dos Grandes Lagos, a cidade de Detroit estava a ponto de gerar a sua própria revolução industrial. Engenheiros visionários e empresários se reuniram para suas fronteiras.

Em 1913, o recém fabricante de automóveis Henry Ford aperfeiçoou a primeira linha de montagem em grande escala. Dentro de poucos anos, Detroit estava prestes a tornar-se a capital mundial do automóvel e berço da moderna produção em massa. Pela primeira vez, a história, a afluência estava ao alcance da massa de pessoas. Arranha-céus monumentais e bairros de luxo colocaram a riqueza da cidade em exposição. Detroit tornou-se o farol deslumbrante do sonho americano. Milhares de imigrantes vieram  encontrar um emprego. Pela década de 50, a sua população aumentou para quase 2 milhões de pessoas. Detroit tornou-se a quarta maior cidade dos Estados Unidos.

O automóvel movia pessoas mais rápido e mais longe. Estradas, rodovias e estacionamentos  remodelaram a paisagem para sempre. No início da década de 50, as fábricas foram realocadas na periferia de Detroit. A classe média branca começou a deixar o centro da cidade e estabeleceram-se em novas cidades suburbanas produzidas em massa. Rodovias desgastaram o tecido urbano. A desindustrialização e a segregação aumentaram. Em 1967, as tensões sociais explodiram em um dos motins urbanos mais violentos da história americana. O êxodo da população acelerou e bairros inteiros começaram a desaparecer. Prédios do centro desatualizados foram esvaziados. Dentro de 50 anos Detroit perdeu mais de metade da sua população.

Detroit, capital industrial do século XX, teve um papel fundamental no moldar do mundo moderno. A lógica que criou a cidade também a destruiu. Hoje em dia, ao contrário de qualquer outro lugar, as ruínas da cidade não são detalhes isolados  no ambiente urbano. Eles tornaram-se um componente natural da paisagem. Detroit apresenta todos os edifícios arquetípicos de uma cidade americana em estado de mumificação. Os seus monumentos esplêndidos em decomposição são, nada menos do que as pirâmides do Egipto, o Coliseu de Roma, ou a Acrópole em Atenas, remanescentes da passagem de um grande império.

Este trabalho é, portanto, o resultado de uma colaboração de cinco anos iniciado em 2005.

http://www.marchandmeffre.com/detroit/index.html

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Depósito e propósito


Fazer algo não chega. As cidades estão descaracterizadas. Precisamos de mais argumentos sustentáveis. Os jovens têm de fazer parte activa da renovação das cidades. As autarquias não se podem imiscuir do papel de supervisor, gestor, mentor, facilitador das iniciativas...
A falta de brio generalizada é um grande problema. É necessária a graça e o carinho pelo sitio onde vivemos..






domingo, 17 de março de 2013

Eleitão - pintor de arte





Pintor de arte, antigo desenhador/ maquetista da Casa da Moeda, Eleitão veio para o Algarve para descansar do rebuliço dos seus vem vividos 76 anos. Mas este homem não pára. Mudou do anterior espaço e montou atelier na rua que dá acesso à estação e lá passa os dias na persistência da pintura. Há um mês atrás passou-lhe pela ideia fazer um grande quadro com o tema da "Jangada do Medusa" de Théodore Géricault e fez uma adaptação ao caso do actual naufrágio português, onde nesta jangada, com a vela uma bandeira na forma do país e perfurada por uma bala, os esfaimados e desesperados protagonistas são a súcia de políticos que tem operado na nação nos últimos tempos. Prostrado ao canto esquerdo, o pintor exaurido segura ainda na paleta.

http://pinturasaoleodeeleitao.blogspot.pt/

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Luis Sapateiro - mito urbano?






Há um lugar de tertúlia, inusitado, numa artéria da cidade. O dinamizador 
é o Sr. Luís, afamado sapateiro conversador que entretém os exasperados 
clientes enquanto lhes remenda os sapatos, as botas, as malas, lhes 
melhora os cintos. Este homem é uma enciclopédia e apanhando alguém que 
lhe dê troco dispara à queima-roupa perguntas tão difíceis como "como 
nasceu a pedra lascada, ou sabe você como apareceu o vidro?" e depois por 
falta de resposta imediata ele explica tudo com requintes de fino trato ao
mesmo tempo que passa a cola de contacto ou liga a lixa para acertar o 
tacão. Com ele pode-se falar de tudo. Ele tem sempre uma opinião com um 
toque de proletariado informado e ávido de uma boa querela situacionista e 
politica. Há senhoras que se impacientam e claro não vale a pena, aquilo 
vai sempre levar o seu tempo e por isso para despachar serviço lá fica ele 
às vezes até às tantas da matina a resolver os múltiplos casos de 
sapataria popular. Uma cadeira e um banco tipo de jardim vão sendo 
revezados ao mesmo tempo que novos vizinhos vão passando por esta 
capelinha das meias-solas. Cliente tem sempre razão e o serviço é bem feito e a bom preço. 
Não se pense que há balda. Ao falar-se de petiscos logo surgem entre o 
digníssimo sapateiro e algum cliente receitas ancestrais e muito próprias 
de uma riqueza humana extraordinária. Ele há sítios por aí mas destes 
especiais não são fáceis de encontrar.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Casa Carvalhinho - Faro








Deambulando pela capital dos Algarves apreciando a especial arquitectura e os desleixados atentados ao património, reparo num estranho cenário de uma loja de esquina com um ar de fim do mundo. Lá dentro é um bric-a-brac em estado calamitoso onde o lojista também vive (come e dorme), com os tectos a cair, uns tachos imundos, e um amontoado de cultura, este tugúrio por incrível que pareça ainda tem alguns clientes. Era uma mercearia mas depois dos pais falecerem o Jorge foi ficando a embalar os fregueses até que mudou de ramo. Para além desta artística loja perdida e do restaurante um pouco atrás já não há mais negócios na Antero de Quental. E para quê, se o fim do mundo é já ali?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Casa de Pasto do Calvário


O amigo Carlos da Casa de Pasto do Calvário é um dedicado e talentoso anfitrião do bom petisco. Gosta do que faz e  sempre tem comidas apetitosas e bem confeccionadas. Como tem um excelente sentido de humor transporta-o para as mesas de bancos corridos desta autêntica casa de pasto à antiga. A feijoada de búzinas e os alimados são peça fundamental, nas sobremesas destaco as magníficas pêras bêbadas. Aos domingos anda por lá um cozido porreiro ao almoço e o fado é presença assídua à noite com a Maria da Saudade, a Sara Raquel e o Manelito . Como passo por lá todas as quintas e recebo muita vez uma prova de petisco (este aqui é dobrada) quis saber mais da maneira como ele se lançou na restauração. Foi mais ou menos assim: quando era moço era carpinteiro de limpos, janelas, portas, soalhos e afins, teve de ir para a tropa e lá aprendeu a cozinhar, quando voltou a construção teve uma das suas ciclicas crises e ele arranjou trabalho em colocação de persianas.

 O dono da empresa das persianas estava a montar um bar em Armação de Pêra, o Kubata, e o Cárlinhes que não se dá parado e percebia de madeirame foi o homem certo para erguer o bar de praia que ainda hoje perdura. No verão meteu-se a assar o belo do peixinho e até arranjou namoro com uma suiça que apreciava os dotes do assador...



Depois dedicou-se à restauração por inteiro e fez muitas casas. Agora é aqui no Calvário em Estômbar que se entretém a animar a malta, estrangeiros e nacionais, vizinhos ou forasteiros. Todos são bem vindos.