segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Ilusão de um skateboarder
«As ilusões», dizia-me o meu amigo, «talvez sejam em tão grande número quanto as relações dos homens entre si ou entre os homens e as coisas. E, quando a ilusão desaparece, ou seja, quando vemos o ser ou o facto tal como existe fora de nós, experimentamos um sentimento bizarro, metade dele complicada pela lástima da fantasia desaparecida, metade pela surpresa agradável diante da novidade, diante do facto real».
Charles Baudelaire, in 'Pequenos Poemas em Prosa'
Let's go down to chinatown
A grande cidade dos arranha céus vive dias de um calado desespero. As peças continuam no mesmo sitio mas não se vê jogadas com certeza e apuro. Fazem-se pequenos movimentos de ajuste mas na generalidade anda-se com as calças na mão à procura de um arbusto retemperador. A escassez de dinheiro, de trabalho e de pessoas deixa no ar um perfume de nojo só comparável com o verdadeiro que contamina a vila velha quase todos os dias. Uma industria do cócó e do desmazelo.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Golfadas no golfinho
À atenção do investigador viperino:
http://uma-mesa-redonda.blogspot.com/2010/07/palhacada-e-palhacinhos-de-lagos.html
Programa de intenções fora de prazo:
http://www.abacusproperty.pt/downloads/hotel/abacus_hotel6_old.pdf
Como quase tudo neste liliputativo país toda a informação está escondida. Aqui não é como nos filmes em que um tipo qualquer obtém informação de quem seja e elabora uma teoria da conspiração. No nosso caso é a teoria da transpiração. Um tipo pena para tirar os nabos da púcara. Existem os escândalos à vista desarmada mas ninguém sabe de nada. Na Internet, se tivermos sorte, aparece uma pontinha do iceberg, de resto são inacreditáveis paragens no tempo, como se tudo estivesse no sítio, a funcionar, vivinho da silva. A verdade não existe em Portugal. Esta despropositada nação de piratas.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Parque escolar 2
Primeiras impressões: da traineira ao porta-aviões.
Do Albacora ao submarino nuclear.
http://videos.sapo.pt/AeJtt6tdij1UtWdvBK12
Parque escolar 1
Work in progress mas com fortes suspeitas de retrocesso a nível das competências construtivas. Uma espécie de prisão/ estufa com muito espaço para brincar, quase nenhumas árvores e todas as vistas para o melhor do local: o rio, tapadas. Aliado á confusão de afunilarem tudo pela entrada principal sem preparação de espaços alternativos para poder corresponder à demanda.
Quanto ao uso das novas tecnologias limpas dá a ideia que nada.
A insustentável estranheza
Eis, pois, Valério, a razão por que te queria menos preso ao século em que vives; desejaria que a tua alma tivesse ressonância para tudo o que foi e sobre o passado baseasse a sua compreensão do presente e os seus sonhos de futuro; preso o homem nas cadeias do tempo e levado a fazer o seu trabalho por um íntimo, total e persistente impulso, a tarefa só poderá ser boa e útil se, resumindo em nós a história inteira, dermos ao presente o lugar limitado que tem de ocupar no desfile dos anos e virarmos ao futuro toda a nossa energia criadora; não te deixes impressionar pelo que surge de novo, não lhes dês um lugar absoluto, mas logo o afere pela escala que o passado te fornece; ser moderno não significa ignorar, como tu julgas, tudo o que forma o antigo; significa não deixar que perca a alma tudo o que de eterno lhe oferece o presente; e esse elemento permanente só o descobre quem não vive, exclusivamente, uma hora actual, quem não limitou a cultura ao derradeiro meio século e tem a sensibilidade desperta para todos os momentos da grande marcha humana.
Agostinho da Silva, in 'Considerações'
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























